Desde 2025, ao menos nove pessoas que atuam na política brasileira receberam ameaças assinadas em nome da Ku Klux Klan ou de grupos supremacistas e neonazistas. Do total, seis são mulheres negras. O número, ainda que parcial — o próprio termo ‘ao menos’ indica que outros casos podem não ter sido contabilizados —, revela um padrão que voltou a se repetir no ambiente político do país.

Assinar uma ameaça com o nome de uma organização supremacista não é um detalhe estético. É uma escolha que carrega significado: busca-se evocar o histórico de violência racial desses grupos para transformar o recado em algo maior do que um texto agressivo. O alvo, nesse formato, não é apenas a pessoa ameaçada, mas o espaço que ela ocupa na vida pública.

Perfil das vítimas

Entre as nove pessoas ameaçadas desde o começo de 2025, seis são mulheres negras — ou seja, a maioria dos casos. A concentração chama atenção e reforça a leitura de que o racismo opera como método de intimidação política: as mensagens não se distribuem de forma aleatória, mas recaem sobre um grupo historicamente alvo de violência e de tentativas de exclusão dos espaços de decisão.

O peso do símbolo

A Ku Klux Klan surgiu nos Estados Unidos no século 19 e ficou marcada pela defesa da supremacia branca e pelo uso do terror contra pessoas negras. Capuzes brancos, cruzes em chamas e ameaças anônimas fazem parte do repertório que tornou o grupo um dos símbolos mais reconhecíveis do racismo organizado no mundo.

Grupos neonazistas e supremacistas, por sua vez, compartilham dessa matriz: negam a igualdade entre as pessoas e se apoiam em hierarquias raciais para justificar a violência. É esse imaginário que as assinaturas tentam trazer para o cenário político brasileiro, convertendo o símbolo em instrumento de pressão.

Crime, punição e dever das instituições

No Brasil, o racismo é crime inafiançável e imprescritível, conforme a Constituição de 1988. A ameaça, por sua vez, também é tipificada como infração penal. Quando as duas dimensões se somam — o conteúdo racista e a intenção de intimidar —, os casos exigem investigação e resposta do Estado.

O desafio, diante do padrão registrado desde 2025, é assegurar que as pessoas que atuam na política — sobretudo mulheres negras, grupo mais atingido pelas mensagens — possam exercer suas atividades sem conviver com recados que resgatam símbolos do terrorismo racial. Enquanto as ameaças seguirem aparecendo assinadas em nome da Klan e de organizações neonazistas, o racismo permanecerá como tentativa de método de intimidação política no país.