O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Nunes Marques estabeleceu o prazo de 24 horas para que Meta, Google e X prestem informações sobre o grupo conhecido como ‘Exército do Lula’. A determinação ocorre no contexto da corrida eleitoral de 2026 e está relacionada a alegações apresentadas pela campanha do senador Flávio Bolsonaro.

Segundo a tese defendida pela campanha, existe uma coordenação no canal, com ordens a serem cumpridas, hashtags a serem publicadas e outras ações. Para a equipe do parlamentar, a existência de ordens e de hashtags previamente definidas indicaria uma estrutura organizada de atuação, e não o comportamento espontâneo de usuários isolados.

A alegação da campanha

O ponto central da acusação é o funcionamento atribuído ao ‘Exército do Lula’. De acordo com a versão apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro, o canal operaria como um núcleo de coordenação, no qual ordens são repassadas aos participantes e hashtags são definidas para publicação, em uma lógica de amplificação de conteúdo. Além desses dois elementos, a própria campanha menciona a existência de outras práticas, que não foram detalhadas nas informações disponibilizadas até o momento.

O nome do grupo faz referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e circula no embate político travado nas redes sociais — ambiente que se consolida como um dos principais palcos da disputa pelas eleições de 2026.

Prazo para as plataformas

Com a decisão, as três companhias terão um dia para apresentar as informações requeridas. A Meta é a controladora de Facebook, WhatsApp e Instagram; o Google é responsável pelo YouTube; e o X, antigo Twitter, completa o trio de plataformas acionadas.

Grandes empresas de tecnologia são periodicamente acionadas por autoridades brasileiras para esclarecer questões ligadas à moderação de conteúdo, a comportamentos coordenados de usuários e à circulação de desinformação. Em pedidos desse tipo, as respostas das empresas costumam subsidiar a análise do magistrado sobre a existência ou não das práticas denunciadas.

Disputa digital de 2026

O episódio se insere no aquecimento da disputa nas redes para as eleições de 2026, quando partidos, candidaturas e grupos políticos tendem a intensificar a busca por alcance e visibilidade nas plataformas. Acusações de ações coordenadas, nesse cenário, integram o repertório de conflitos que envolvem campanhas, big techs e reguladores no Brasil.

O conteúdo das respostas das plataformas e os eventuais desdobramentos da solicitação tendem a ganhar relevância à medida que o processo eleitoral avança. Até lá, a determinação de Nunes Marques mantém Meta, Google e X no centro de mais um capítulo da disputa política no ambiente digital.