A disputa entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desenha um mapa eleitoral de contornos bem definidos. Os dados disponíveis apontam que cada um dos dois nomes encontra seus melhores desempenhos em blocos regionais distintos, sem sobreposição entre as listas de estados com maiores vantagens.

Os estados de Flávio Bolsonaro

Acre, Mato Grosso, Rondônia, Roraima e Santa Catarina são as unidades da federação em que Flávio Bolsonaro abriu as margens mais amplas. O grupo reúne estados do Norte, do Centro-Oeste e do Sul, regiões que, nas eleições recentes, costumaram dar vantagem a candidatos apoiados pelo bolsonarismo.

A presença de três estados do Norte — Acre, Rondônia e Roraima — ao lado de Mato Grosso e Santa Catarina mostra que o desempenho do senador não se limita a uma única região, embora todos esses territórios compartilhem histórico de bons resultados para nomes da direita nas últimas eleições nacionais.

O domínio de Lula no Nordeste

Do outro lado, Bahia, Maranhão, Pernambuco, Piauí e Sergipe concentram as maiores vantagens de Lula. Os cinco estados pertencem ao Nordeste, região que historicamente entrega ao petista suas maiores votações e que tem peso decisivo na formação de suas maiorias em pleitos nacionais.

A lista inclui tanto estados com grandes eleitorados, como Bahia e Pernambuco, quanto unidades menores em número de votantes, como Sergipe, o que indica vantagem do presidente em territórios de portes diferentes dentro da própria região.

Mapa polarizado

O desenho geral confirma um padrão observado em disputas nacionais recentes: a polarização geográfica. Enquanto Flávio Bolsonaro encontra respaldo em estados do Norte, do Centro-Oeste e do Sul, Lula mantém domínio consolidado no Nordeste.

Nenhum estado aparece simultaneamente nas duas listas, o que evidencia a separação entre as bases territoriais dos dois nomes. O cenário sugere que os confrontos mais equilibrados tendem a ocorrer fora desses redutos, em estados onde nenhuma das partes apresenta predominância expressiva.

Para Flávio Bolsonaro, os números reforçam a força do sobrenome em regiões em que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, venceu nas últimas disputas presidenciais. Para Lula, confirmam a solidez do Nordeste, que segue como principal reservatório de votos do petista em cenários nacionais.

O recorte estadual, portanto, funciona como um retrato das forças de cada nome. Ele mostra onde as bases estão consolidadas e, por consequência, onde eventuais esforços de crescimento precisarão ser concentrados ao longo da corrida eleitoral.