Meta provoca queda nas bolsas com plano de financiamento para IA
A Meta abalou os mercados na quinta-feira (22) ao anunciar uma nova estrutura de captação de recursos para bancar sua expansão em inteligência artificial. As ações da companhia recuaram cerca de 7%, e o índice Nasdaq 100 caiu 2,9%. Diante do clima de incerteza, investidores buscaram proteção em títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
Segundo a empresa, será criada uma nova classe de ações sem direito a voto, que poderá ser usada para levantar dinheiro, remunerar funcionários e custear outras iniciativas. A decisão vem no momento em que a Meta intensifica gastos com centros de dados, chips e equipamentos para desenvolver e operar sistemas de IA. A previsão de despesas de capital para 2026 ficou entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões, acima do piso de US$ 130 bilhões divulgado anteriormente.
Dúvidas sobre os custos da corrida pela IA
O anúncio reacendeu o questionamento sobre o tamanho dos gastos necessários para as grandes empresas de tecnologia competirem em IA e sobre quando esses investimentos começarão a dar retorno. A preocupação alcança todo o setor, que vem recorrendo a empréstimos e à emissão de ações para construir centros de dados e adquirir chips. Há ainda o risco de diluição da participação dos acionistas atuais com a captação por novas ações.
Apesar do movimento, a Meta segue em crescimento: a receita do terceiro trimestre subiu 26%, chegando a US$ 64,6 bilhões. Em contrapartida, o fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 2,12 bilhões, contra resultado positivo de US$ 10,63 bilhões no mesmo período do ano anterior. A companhia justificou o investimento pela expansão da infraestrutura e dos projetos de inteligência artificial.
A queda se espalhou por outras companhias ligadas à corrida pela IA. A SpaceX caiu 9,1%, a Tesla perdeu 3,1% e o índice de semicondutores da Filadélfia recuou quase 7%, conforme dados de mercado divulgados na quinta. O custo de proteção contra um possível calote da dívida da Meta alcançou recorde, indicando maior cautela dos investidores quanto ao financiamento da expansão tecnológica.
Fuga para ativos mais seguros
No mercado de títulos, o rendimento dos Treasuries de dez anos caiu para pouco abaixo de 5%, refletindo a demanda por ativos vistos como mais seguros. O dia também registrou outras fontes de tensão: o barril de petróleo Brent subiu para US$ 113,17 com a escalada de riscos no Oriente Médio, e os juros dos títulos franceses de dez anos superaram 5%, ampliando a diferença em relação aos papéis alemães.