A prisão no campus
Um brasileiro de 46 anos foi preso neste domingo (4), em Miami, na Flórida, nos Estados Unidos, acusado de se passar por agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). Ele circulava de maneira “agressiva” pelo campus da universidade Kendall, espaço utilizado para a votação da eleição presidencial brasileira.
De acordo com o boletim de ocorrência da prisão, citado pelo jornal Miami Herald, Danilo Silva vestia boné e jaqueta do ICE, óculos escuros, máscara cobrindo o rosto e botas com “aparência tática” enquanto caminhava entre os prédios onde ocorria a votação.
Abordagem e versão do suspeito
Agentes uniformizados e à paisana foram enviados ao campus assim que os primeiros relatos sobre a presença do homem começaram a chegar. Em determinado momento, outro homem confrontou Silva e os dois passaram a discutir; foi então que os policiais intervieram.
Na abordagem, o brasileiro afirmou que havia votado anteriormente, vestindo uma camisa da seleção brasileira. Ele teria adotado postura “desafiadora” e declarado que não cometia crime ao se vestir como agente do ICE sem ser um.
Uniforme comprado pela internet
Segundo o relatório policial, Silva contou que, depois de votar, foi até o próprio carro e vestiu o uniforme, comprado pela internet. Ele afirmou ter feito isso “para ver a reação das pessoas”.
Ameaças e tentativa de suborno
A situação se agravou dentro da viatura. Colocado no banco de trás, Danilo ameaçou um detetive, dizendo que ele “se arrependeria de ter tomado essa decisão”. Em seguida, parou de fazer ameaças e tentou subornar o policial.
“Vou garantir que você receba o pagamento se me deixar ir. Posso te mostrar bem aqui no meu celular. Por favor, pegue o celular e eu vou te mostrar. Vamos te pagar, mas você tem que me deixar ir primeiro”, disse o brasileiro, conforme o registro.
Acusações e fiança
Silva foi levado ao Centro Correcional Turner Guilford Knight sob as acusações de intimidação de eleitor, conspiração para cometer suborno, uso ilegal de insígnias da polícia e conduta desordeira.
Até esta segunda-feira (5), um juiz ainda não havia definido a fiança pela acusação de intimidação de eleitor. Pelas outras acusações, o valor fixado era de US$ 2.650, de acordo com os registros da prisão. A defesa do homem não havia sido localizada até o fechamento desta reportagem.
