Acusação renovada

O atacante Richarlison de Andrade, do Tottenham, voltou a acusar publicamente nesta quarta-feira (21) o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de participar de uma disputa pela posse de um imóvel de luxo na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o jogador reafirmou que investiu R$ 10 milhões na aquisição dos direitos de ocupação do imóvel em 2020, por meio de uma empresa da qual é sócio, e que se recusou a vender a propriedade quando o senador demonstrou interesse.

Segundo Richarlison, após a recusa, Flávio Bolsonaro teria se unido ao advogado Willer Tomaz, amigo do parlamentar, para retirar dele os direitos sobre o local. O senador nega envolvimento na disputa, apesar de ter visitado a propriedade e de constar como testemunha no processo judicial relacionado à posse da casa.

Defesa do advogado

Willer Tomaz sustenta que sua empresa comprou de forma legal os direitos de ocupação da ilha e de um imóvel no local. Em nota enviada ao g1, o advogado alegou que Richarlison negociou com posseiros que não eram os legítimos detentores dos direitos e afirmou que a empresa ligada ao atleta foi derrotada na Justiça, inclusive no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz são investigados pelo STF sob suspeita de lavagem de dinheiro. De acordo com a Polícia Federal, o senador foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária de empresa de Tomaz. Os dois também viajaram juntos em aeronave administrada por empresa de Daniel Vorcaro. Ambos negam as acusações e dizem não ter negócios em conjunto.

Como a disputa começou

O conflito teve início em 2020, quando Richarlison, seu então empresário Renato Velasco e o político mineiro Alencar da Silveira Júnior negociaram a aquisição dos direitos de ocupação do imóvel. Como a área pertence à União, a discussão judicial envolve posse e ocupação do terreno, e não a propriedade da ilha em si.

Segundo reportagem do portal Metrópoles publicada em 2022, Flávio Bolsonaro visitou a mansão em julho daquele ano, a convite do ex-senador Wilder Morais. Na ocasião, o local era ocupado pelo empresário Antônio Marcos Pereira Silva, que negociava a transferência dos direitos possessórios para o grupo do jogador. Em janeiro de 2021, Flávio teria retornado à região acompanhado de Willer Tomaz, que, segundo Antônio Marcos, demonstrou interesse no imóvel e perguntou se seria possível desfazer a negociação. O advogado apresentou outra versão e disse já conhecer a propriedade antes desses episódios.

Em vídeo publicado no Instagram em 17 de outubro, Richarlison afirmou que recusou a proposta de compra e acusou o senador e o advogado de conseguirem os direitos de ocupação na Justiça. “Como eu não quis vender, os caras pegaram na mão grande lá na Justiça”, declarou. O jogador disse ainda que investiu cerca de R$ 10 milhões no imóvel e não recebeu nenhum valor pela perda dos direitos que reivindica.

Documentos e ação judicial

No vídeo desta quarta-feira, Richarlison respondeu a um desafio de Willer Tomaz, que havia exigido documentos comprobatórios dos direitos do jogador. O atacante exibiu contratos de cessão de direitos possessórios e comprovantes de pagamentos a antigos ocupantes: dos R$ 10 milhões investidos, R$ 4,66 milhões teriam sido pagos a esses ocupantes, e o restante cobriria reformas e segurança. Ele também apresentou números de processos da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), afirmando que seu pedido de regularização, feito em setembro de 2021, ficou cerca de dez meses sem conclusão, enquanto uma solicitação do grupo de Tomaz teria sido concluída em um único dia, em julho de 2022.

O caso chegou à Justiça em 2022, quando a empresa M Locadora de Veículos e Transportes Turísticos Ltda. ajuizou ação de reintegração de posse contra a Sport 70, ligada a Richarlison, a YTA Consultoria e Renato Rocha Velasco. Uma das representantes da M Locadora, Maria Alice Menna, então com 78 anos, contestou documentos usados na negociação e afirmou ter sido induzida a assinar papéis, alegando que sua assinatura teria sido falsificada.