A frase “quem ganha em Minas, ganha o Brasil”, pronunciada pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) em visita a Juiz de Fora no início de setembro, resume o peso estratégico de Minas Gerais na corrida eleitoral deste ano.
O estado consolidou, desde a redemocratização iniciada em 1989, uma tendência histórica: todos os vencedores do pleito em território mineiro terminaram eleitos presidentes da República.
Margem mínima em 2022
Nas eleições de 2022, Lula (PT) derrotou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em Minas por margem reduzida de 49.650 votos. O petista alcançou 50,2% dos votos válidos no segundo turno, enquanto o rival somou 49,8%. A diferença de 0,4 ponto percentual ficou aquém até da apuração nacional, na qual Lula registrou 50,9% contra 49,1% do oponente.
Pesquisa Datafolha recente indica quadro de empate técnico no estado, com Lula levemente à frente em números no primeiro turno e Flávio Bolsonaro liderando no cenário de segundo turno. Diante disso, ambos os candidatos escalaram Minas entre seus primeiros e últimos compromissos antes do voto.
Estratégias territoriais distintas
Juíz de Fora ilustra a disputa simbólica. Foi ali que Bolsonaro sofreu o atentado à facada durante a campanha de 2018. Flávio planejava realizar uma motociata na cidade já no segundo dia oficial de campanha, em 17 de agosto, mas adiou a atividade alegando condições climáticas desfavoráveis para o voo. O evento aconteceu em 9 de setembro e remeteu aos passos do pai ante uma plateia restrita reunida próximo ao local do ataque.
A cidade, administrada pelo PT desde 2021, favoreceu Lula em 2022: ele obteve 56,09% dos votos no segundo turno, contra 43,91% do então chefe do Executivo. Nesta quarta-feira (30), o presidente encabeza um comício na mesma urbe, a poucas ruas de onde Flávio realizou seu ato.
No caso de cancelamento da motociata, o primeiro compromisso mineiro do senador acabou sendo em Belo Horizonte, no dia 17 de agosto, no lançamento da chapa de Flávio Roscoe (PL) ao governo estadual. No dia seguinte, ele protagonizou uma caminhada com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), parceiro constante nas agendas mineiras.
Lula estreou no estado pela capital, com ato na Praça da Estação, espaço consagrado pelas mobilizações de esquerda. Voltou à cidade na semana posterior em encontro voltado às mulheres e retorna nesta sexta-feira (2), dessa vez na Praça da Liberdade, referência de eventos da direita — serão cinco visitas ao estado até agora.
Belo Horizonte e o entorno metropolitano pendiam para Bolsonaro em 2022. Só na capital, o plenário do PL capturou 54,25% dos votos válidos, contra 45,75% de Lula.
Nikolas organiza ainda o primeiro “bloquinho” homônimo na capital mineira, marcado para quinta-feira (1º). Criticado em abril por Eduardo Bolsonaro (PL) por suposta baixa dedicação à pré-campanha do irmão, o parlamentar marcou presença em toda agenda de Flávio no estado.
Há uma semana, Flávio integrou eventos em Teófilo Otoni, onde Lula venceu por escassos votos em 2022, e em Governador Valadares, bastião bolsonarista — ambas administradas por prefeituras ligadas ao PL. Em Teófilo Otoni, o senador desfilou sobre um trio elétrico cercado por apoiadores e afirmou confiança num triunfo logo no primeiro turno.
Lula também priorizou o sertão: compareceu a Montes Claros em 17 de setembro, município considerado relevante colégio eleitoral do norte mineiro.
