O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, anunciou nesta terça-feira (13) que não participará do debate da Band contra o presidente Lula (PT), marcado para o próximo domingo (18). A informação foi dada durante um evento com apoio de diretórios estaduais do MDB, em São Paulo.

Segundo o candidato, sua participação no confronto do segundo turno não estava programada e a decisão sobre o encontro na TV Globo ainda será tomada por seus assessores. “Não vou, não está previsto ir nesse debate no domingo. Estamos analisando, e quem vai dar a palavra final vai ser a minha equipe técnica, de ir no último debate”, declarou.

A Band confirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a transmissão será mantida. A emissora informou que, se um dos concorrentes não estiver presente, o púlpito correspondente permanecerá vazio durante o programa.

Decisão da Justiça Eleitoral pesou no primeiro turno

A exibição do púlpito vazio havia sido proibida pela Justiça Eleitoral no debate da TV Globo do primeiro turno, uma das razões que levaram ao cancelamento daquele encontro. A determinação partiu da ministra Estela Aranha, do TSE, que entendeu que a cláusula tinha “aparente intuito de compelir os candidatos a comparecer ao debate, renunciando à facultatividade de participação”, diante das consequências negativas previstas para quem optasse por não ir.

Após o resultado do primeiro turno, no qual apareceu à frente do atual presidente, Flávio Bolsonaro havia afirmado que participaria dos debates da segunda etapa. “Vou participar de debate. Acho que são importantes. Eu quero comparar os programas de governo, eu quero comparar os governos do Lula com o nosso governo. Tenho a convicção de que a gente vai sair vitorioso”, disse em entrevista.

Lula também sinalizou disposição de debater. “Agora é importante ter debate na televisão, porque agora é tête-à-tête”, afirmou o petista, declaração reforçada por aliados.

Ausências marcaram o primeiro turno

Nenhum dos dois principais candidatos compareceu aos embates da primeira fase da campanha. Flávio Bolsonaro argumentava que a ausência de Lula impedia confrontos diretos, enquanto o presidente alegava que disputas com a presença de outros concorrentes seriam desleais, por permitir ataques de diferentes lados.

O esvaziamento dos dois favoritos à Presidência resultou no cancelamento de dois dos quatro debates programados para o primeiro turno. No caso da Globo, o evento foi suspenso às vésperas, após a falta de Lula, a desistência de Flávio e uma sequência de decisões do TSE — entre elas, a autorização para a participação de Renan Santos (Missão) mesmo sem convite, o aval a Romeu Zema (Novo) e a vedação da exibição do púlpito vazio.

Os encontros realizados no primeiro ciclo contaram com Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).

A estratégia de evitar debates em campanhas de reeleição não é novidade. Em 2006, ao fim do primeiro mandato, Lula optou por não comparecer aos encontros do primeiro turno, apoiado na folga que tinha sobre o segundo colocado, o hoje vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), então no PSDB. Em 1998, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) também evitou os debates e foi reeleito ainda no primeiro turno.