Interlocutores do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, têm procurado o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF) — condição reservada ao membro mais antigo da Corte —, para discutir o cenário que se abrirá após a eleição e tentar construir pontes com o tribunal. O objetivo é abrir um canal direto entre um eventual futuro governo e a mais alta instância do Judiciário.
Nas conversas, o recado transmitido é de que não há interesse em promover um confronto institucional. A postura chama atenção porque uma das principais bandeiras do bolsonarismo — e de parte dos senadores eleitos pelo PL — é justamente a abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo.
Os emissores do senador têm afirmado que não desejam briga nem confusão com o Judiciário. Em contrapartida, reconhecem que será preciso avaliar a nova composição do Senado: é na Câmara Alta que a pressão pelo afastamento de ministros deve ganhar força a partir da próxima legislatura.
Aproximação que interessa aos dois lados
O movimento de reaproximação, no entanto, não depende apenas da vontade do bolsonarismo. Também desperta interesse de diferentes grupos dentro do próprio Supremo, a começar pelo ministro Alexandre de Moraes. Nos bastidores da Corte, a leitura é de que há pautas de interesse comum entre setores do tribunal e um eventual governo Flávio Bolsonaro — sobreposição que poderia abrir espaço para uma negociação mais ampla entre os poderes.
Caso Master na mesa
Entre os temas apontados como possíveis itens de negociação está o caso Master, citado por interlocutores como um dos assuntos que poderiam entrar na pauta de conversas.
Perspectiva de “acordão”
Nesse desenho, a ideia de um eventual “acordão” não atenderia exclusivamente aos interesses de Flávio Bolsonaro. Segundo a avaliação nos bastidores, também agradaria a ministros como Moraes — o que ajuda a explicar a disposição de ambos os lados em manter os canais de diálogo em funcionamento.
O desenrolar das tratativas, portanto, deve se tornar mais claro conforme avance a disputa eleitoral e se confirme a configuração do próximo Congresso Nacional.
