A seis dias do segundo turno da eleição presidencial, o horário eleitoral desta segunda-feira (19) marcou apostas distintas dos dois camps: Flávio Bolsonaro (PL) pediu empenho máximo dos apoiadores, enquanto o programa de Lula (PT) destacou a segurança pública e fez críticas ao adversário.
Flávio Bolsonaro pede ‘mobilização total’
No início da propaganda, Flávio Bolsonaro convocou os eleitores para uma mobilização intensa na reta final, com ações reforçadas nas ruas, nas redes sociais e nos grupos de mensagens.
“Está chegando a hora. Eleição a gente ganha hoje, ganha amanhã, é todo dia até o dia de votar. É mobilização total, não pode relaxar. Agora é força máxima nas redes, nas ruas, nos grupos”, disse o senador, que ainda afirmou: “Ou o Brasil vence, ou eles derrotam o Brasil. O jogo só termina quando o juiz apita”.
Programa de Lula cita caso de Ana Clara
Já o programa de Lula abordou o assassinato de Ana Clara Machado, de 5 anos, morta em fevereiro de 2021 em uma comunidade de Niterói, na Região Metropolitana do Rio. A peça destacou que Flávio Bolsonaro atuou como advogado do policial militar Bruno Dias Dellaroli, apontado como autor do disparo.
“Ana Clara Machado tinha cinco anos quando foi atingida por um tiro de fuzil na porta de casa. Não era ação da polícia. O PM Bruno Dias Dellaroli disparou de forma consciente na direção de uma casa”, disse a apresentadora do programa, que questionou: “Você acha que quem defende um assassino de criança vai te defender?”.
O cabo da PM virou réu por homicídio doloso e a Justiça determinou seu envio ao Tribunal do Júri. Em 2024, Flávio Bolsonaro integrou a defesa de Dellaroli e assinou recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) tentando reverter a decisão. A defesa alegou falhas na perícia e falta de confiabilidade dos depoimentos, pediu a reclassificação do crime para homicídio culposo e a retirada da agravante de que a vítima não teve chance de defesa.
O STJ negou os pedidos. O processo segue em andamento, e o policial, que responde em liberdade desde novembro de 2021, aguarda júri marcado para maio de 2027.
Propostas: SUS da Segurança Pública e ‘Vira Pix’
Além das críticas, o programa de Lula apresentou propostas para a área de segurança, com destaque para o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), voltado à integração das polícias federais, estaduais e municipais.
“Durante muito tempo, a Polícia Federal não falava com a Militar, a Militar não falava com a Civil e ninguém falava com a guarda da tua cidade. Sabe quem adorava isso? O crime. Porque facção não respeita divisa de estado”, afirmou Lula.
A peça listou quatro frentes de combate à criminalidade: integração da inteligência policial, transformação de 1.138 presídios estaduais em unidades com padrão federal de segurança máxima, retomada de territórios dominados pelo crime e ampliação de operações contra o financiamento de facções.
Do outro lado, o programa de Flávio Bolsonaro apresentou o “Vira Pix”, plano de recompensas em parceria com a Caixa Econômica Federal que devolveria parte dos valores pagos em despesas cotidianas aos consumidores via Pix.
“Flávio vai criar, junto com a Caixa, um plano de recompensa para todo mundo no Brasil. É o Vira Pix. Conta de luz, prestação, taxa, tudo o que você pagar, uma parte volta para o seu bolso”, afirmou o narrador, encerrando com o slogan: “Vira Pix. A proposta é do Flávio. A mudança é para você”.
