O presidente Lula (PT) mantém a dianteira em popularidade digital às vésperas do último debate presidencial, mas a vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) diminuiu nos últimos dias.
De acordo com o IPD (Índice de Popularidade Digital), da empresa de pesquisas Quaest, a diferença entre os dois candidatos à Presidência está em 4,1 pontos. Na segunda-feira (19), após o debate da Band, a distância era de 6,7 pontos. O índice foi calculado até quinta-feira (22).
O indicador é produzido por um algoritmo que coleta e processa 175 variáveis de plataformas como Facebook, Instagram, X (ex-Twitter), TikTok, YouTube, Google e Wikipédia, com notas que variam de 0 a 100. O sistema é calibrado para reduzir o “ruído” das redes, principalmente de bots, e se aproximar do comportamento real do eleitor.
Números e estratégias
Lula marca 81,1 pontos, abaixo da máxima de 83,3, mas acima dos 70,7 registrados no primeiro turno. Flávio Bolsonaro aparece com 77 pontos — 0,3 a mais que na segunda-feira e 3 pontos abaixo do dia em que assumiu a liderança na disputa.
A base petista aposta no volume de publicações: Lula postou 109 vezes na quinta-feira, quando realizou uma live com o deputado eleito André Janones (Rede-MG), principal articulador da mobilização digital do presidente. O canal do petista alcançou 10 milhões de seguidores nesta sexta (23).
Flávio prefere concentração e retenção. Com 14 postagens no mesmo dia, obteve média de 175 mil curtidas por publicação, contra 125 mil do petista — salto de 146% em relação à véspera, quando cada post registrava 71 mil curtidas. Nos comentários, porém, Lula leva vantagem: são 23 mil por postagem, contra 11 mil do senador. Para o diretor da Quaest, Felipe Nunes, o dado mostra que “a conversa é do presidente, mas a atenção, nem tanto”.
Mesmo assim, o presidente chega ao debate da Globo mais à frente do que estava na véspera do confronto da Band, quando a diferença para o senador era de 3,3 pontos.
Buscas e cenário eleitoral
Segundo Nunes, no pós-debate da Band Lula chegou a abrir vantagem no IPD, mas o efeito durou poucos dias e a distância voltou a patamar próximo ao de antes. “Aquele encontro mostrou que debate gera atenção, mas não necessariamente muda posições”, avaliou o diretor.
Os candidatos tentam agora corrigir os excessos do primeiro embate. Aliados de Flávio avaliam que o clima de vale-tudo não beneficiou o senador e defendem suavizar a postura de ataque para não elevar a rejeição. No campo petista, o objetivo é não se abalar com as provocações.
Lula concentra 94% dos comentários, mas o interesse de busca por seu nome cai há três dias e está abaixo do patamar do debate da Band. As buscas por Flávio subiram no período, embora o indicador meça atenção, não preferência. Janones tem orientado a “tropa digital” do presidente a impulsionar buscas contra o rival. Advogados do senador ingressaram com ação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), acusando a campanha petista de articular operação para influenciar resultados no Google. O termo “Bolsonaro mandou matar Lula”, por exemplo, teve salto de 5.000% no Google Trends em relação à semana anterior.
Nunes afirma que o IPD funciona como termômetro do resultado das eleições, com correlação de 86% entre o que o índice mostra e o que a urna revela. Líder no indicador, Flávio terminou o primeiro turno à frente de Lula, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do rival.
Na quinta-feira (22), o Datafolha apontou empate entre os dois candidatos, com 50% cada. A última pesquisa de intenção de voto será divulgada no sábado, véspera da eleição.