Preso desde 18 de setembro e com um desempenho eleitoral decepcionante, o copresidente da federação União Brasil-PP em São Paulo, Milton Leite, deve deixar o comando do grupo nas próximas semanas. O ex-vereador da capital paulista acumula derrotas que aceleram sua perda de espaço no arranjo partidário.
Leite, que chegou a presidir a Câmara Municipal de São Paulo, foi detido após se tornar alvo de investigação sobre um esquema que liga empresas de ônibus da cidade ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Aliado de Antônio de Rueda, presidente nacional do União Brasil, ele também vê seu futuro ameaçado dentro da legenda.
De sete apadrinhados, apenas um se elegeu
Dos sete candidatos apadrinhados por Leite, somente o filho dele, Milton Leite Filho (União), conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados, com 71.631 votos. A eleição, porém, contou com o bom desempenho de nomes do PP, como Sargento Nantes e Maurício Neves.
O outro filho do ex-vereador, Alexandre Leite, recebeu 72.515 votos, mas ficou na suplência na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
Além de Alexandre, outros cinco apadrinhados tentaram sem êxito uma vaga na Câmara dos Deputados: Pastora Sandra Alves (63.745 votos), Rubinho Nunes (41.883), Adrilles Jorge (26.694), Delegado da Cunha (26.497) e Baianinho de Mauá (7.452).
Dentro da federação, o PP saiu ainda mais fortalecido das urnas, com a eleição de Guilherme Derrite ao Senado.
Prisão trava decisões da federação
Leite e Maurício Neves, que preside o PP em São Paulo, já haviam disputado a liderança da federação. O impasse terminou com a divisão da presidência entre os dois. Como o estatuto exige a concordância dos dois copresidentes, a detenção de Leite paralisou, na prática, as decisões do grupo — e a tendência é que ele seja substituído em breve.
O desgaste aparece até nos bastidores. Em um grupo de WhatsApp com políticos da federação, um integrante comparou a situação de Leite à de alguém atropelado por um trator que ainda deu ré para conferir o estado da vítima.
