Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, 5, que sua campanha precisará enfrentar o que classificou como a “promiscuidade” instalada no Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi feita durante reunião com auxiliares da campanha para definir as estratégias do segundo turno das eleições.

Ao listar os desafios dos próximos 20 dias de disputa, o petista disse que seu grupo carrega “uma coisa muito grave”: a “promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira”. Em seguida, afirmou que o tema terá de ser enfrentado ao longo da campanha.

Reforma do Judiciário

No mesmo discurso, em que avaliou o desempenho da candidatura no primeiro turno e pediu intensificação da mobilização aos aliados, Lula defendeu uma nova reforma do Judiciário. Para ele, será preciso discutir os critérios de escolha dos ministros do STF, indicados pelo presidente da República e submetidos ao Senado. O petista também colocou em pauta a possibilidade de estabelecer mandato para os integrantes da Corte.

Na avaliação de Lula, o debate se tornou necessário porque a Suprema Corte estaria sob desconfiança. Ele declarou ainda que “ninguém está acima da lei” e que a regra deve alcançar também os ministros do STF. Para o petista, embora seja um tema difícil, a discussão é indispensável.

O candidato disse estar convencido de que ainda há condições de vencer a eleição contra Flávio Bolsonaro (PL) e cobrou dos aliados uma atuação mais intensa nos próximos dias.

Ausência nas urnas

Lula destacou ainda os cerca de 30 milhões de eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno. Segundo ele, a campanha precisa identificar as razões da abstenção e recuperar o interesse desse eleitorado pela disputa. “A responsabilidade é nossa: é devolver o interesse para eles de participar do processo eleitoral”, afirmou.

O petista pediu que os aliados não responsabilizem os eleitores pelo desempenho nas urnas. Ao lembrar derrotas que sofreu em eleições anteriores, disse que o resultado deve ser encarado como aprendizado. “Nós temos que procurar o que nós não fizemos corretamente que a gente agora tem que fazer”, declarou. Para ele, os 20 dias do segundo turno exigirão uma campanha mais rápida e eficiente.

Estratégia para o segundo turno

Na avaliação do candidato, a disputa deve ser apresentada ao eleitorado a partir da comparação entre as trajetórias e os programas dos dois concorrentes. Ele classificou o adversário como um político que chegou ao poder com discurso antissistema, mas que, segundo Lula, seria “a cara do sistema”.

O petista defendeu uma ofensiva maior de campanha no segundo turno, com mais entrevistas em rádio, viagens, passeatas e presença nas ruas. Ele avaliou que os debates na televisão ganharão importância no confronto direto entre os dois postulantes. “Agora é um contra um”, resumiu.