O gelo marinho do Ártico atingiu sua menor extensão do ano em 12 de setembro de 2026, quando cobriu cerca de 4,6 milhões de quilômetros quadrados. O número não bateu recorde negativo, mas os dados da NASA e do NSIDC apontam um cenário alarmante: os 20 menores mínimos já registrados por satélite ocorreram todos entre 2007 e 2026.

Ciclo anual do gelo

O Oceano Ártico passa por um ciclo natural de congelamento no inverno e derretimento na primavera e no verão. O ponto mais baixo costuma aparecer em setembro, antes da retomada do frio. Em 2026, o mínimo chegou dois dias antes da data mediana registrada entre 1981 e 2010, e a extensão ficou cerca de 1,62 milhão de quilômetros quadrados abaixo da média histórica — área equivalente à do Alasca.

O que dizem os registros

Segundo a NASA e o National Snow and Ice Data Center (NSIDC), da Universidade do Colorado Boulder, o mínimo de 2026 foi o décimo menor desde o início das observações contínuas por satélite, no fim de 1978, empatando estatisticamente com 2008, 2010 e 2025.

Principais números de 2026:

Mínimo em 12 de setembro; extensão de 4,60 milhões de km²; décima posição histórica, empatada; recorde negativo segue com 2012; tendência de queda de 11,8% por década desde 1979.

Clima influenciou o derretimento

Apesar das temperaturas globais próximas de recordes, parte do Ártico teve um verão relativamente frio, nublado e tempestuoso. Um sistema persistente de baixa pressão reduziu o aquecimento causado pela radiação solar e desacelerou a perda de gelo entre junho e agosto. Por outro lado, os ventos espalharam placas de gelo, deixando grandes áreas fragmentadas. Grande parte da cobertura atual é de gelo jovem, formado no inverno anterior, portanto mais fino e frágil.

Como os satélites medem

O monitoramento usa sensores de micro-ondas que distinguem gelo de água oceânica, mesmo durante a noite polar e sob nebulosidade. São consideradas congeladas as áreas com pelo menos 15% de concentração de gelo. Análise do NSIDC divulgada em 7 de outubro de 2026 apontou média de setembro de 4,81 milhões de km² — valor mensal que difere do mínimo diário de 4,60 milhões.

Comparação com recordes

O menor valor da série histórica segue sendo o de 2012, com 3,39 milhões de km². Em 2020, a extensão chegou a 3,82 milhões, e 2007, 2016 e 2019 registraram mínimos próximos de 4,2 milhões. Embora 2026 tenha ficado acima desses extremos, permanece muito abaixo dos padrões das décadas de 1980 e 1990 — cenários antes considerados excepcionais que hoje se repetem com frequência.

Por que o tema segue em alerta

Nas últimas duas décadas, os mínimos de setembro não mostram tendência estatisticamente significativa de queda, fenômeno ainda em investigação. Isso não indica recuperação: a cobertura segue reduzida e o gelo antigo, mais espesso, continua recuando. A perda prolongada altera o balanço energético do planeta, já que águas escuras absorvem mais radiação solar do que superfícies congeladas. O resultado de 2026 mostra que variações meteorológicas podem mudar uma temporada, mas não revertem a transformação climática observada em quase cinco décadas de registros.