Imagens divulgadas pela revista Veja nesta quarta-feira (21.out.2026) mostram Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao lado da lobista Roberta Luchsinger em viagens de jatinho, festas e encontros com empresários e integrantes do governo federal. As fotos estavam armazenadas na nuvem vinculada ao celular da empresária.

A Polícia Federal investiga suspeitas de que Luchsinger e Lulinha atuavam em parceria para intermediar interesses de empresas privadas junto ao governo. Segundo a apuração, a lobista seria responsável por captar clientes, enquanto o filho do presidente usaria seu acesso a autoridades para viabilizar negócios. Mensagens recuperadas pelos investigadores deram origem a 3 inquéritos sobre suspeitas de tráfico de influência.

Viagem à Finlândia

Uma das imagens registra Lulinha e Luchsinger acompanhados de outras pessoas dentro de um jatinho Embraer Praetor 600 fretado em uma viagem à Finlândia, em janeiro de 2025. O grupo foi ao país europeu para ver a aurora boreal. Um avião novo do mesmo modelo custa mais de US$ 20 milhões.

Em outro registro, os dois aparecem em frente à aeronave usada no trajeto. A viagem integrou um roteiro pela Escandinávia no início de 2025. Segundo a Veja, Lulinha também esteve na China e em Portugal, em deslocamentos custeados por empresários e amigos.

Contratos do governo

Outra fotografia mostra Lulinha e Luchsinger ao lado do empresário Marcelo Checon, dono da MChecon Design e Cenografia, durante um evento social. De acordo com a revista, a empresa conquistou 13 contratos com o governo federal nos últimos 3 anos, somando R$ 63 milhões. Antes da posse de Lula, em 2023, a companhia tinha apenas 1 contrato federal, de R$ 197 mil. Checon e Lulinha se conheceram em 2023, por intermédio do empresário Fernando Bittar.

Uma 4ª imagem registra Lulinha na virada para 2025 em uma mansão alugada por Luchsinger em Brasília. Ele aparece ao lado de Swedenberger Barbosa, assessor do gabinete pessoal da Presidência. Segundo a revista, o imóvel era usado para festas e reuniões com empresários e autoridades do governo.

Viagens e despesas

A proximidade entre os dois já havia sido revelada por mensagens obtidas pela PF. Os diálogos indicam que a lobista organizou viagens de Lulinha e de seus familiares: à África, em 2024, e à Finlândia, em 2025. Um dos roteiros africanos incluía passagens por Moçambique e Botsuana, um safári e uma escala em Paris, com custo estimado de US$ 20.000 por pessoa.

As conversas também indicam que Luchsinger pagava passagens aéreas de Lulinha em dinheiro e administrava despesas do filho do presidente. Em janeiro de 2024, os dois discutiram uma viagem para 8 pessoas, com custo estimado de R$ 100 mil por participante. Na ocasião, Lulinha demonstrou preocupação com os gastos e afirmou não ter recursos nem origem de dinheiro que justificassem a despesa.

Rompimento com Lula

A divulgação ocorre após o rompimento público de Luchsinger com o presidente. Em entrevista ao Jornal Nacional, em agosto, Lula afirmou não conhecer a empresária e a chamou de “pilantra”. No domingo (18.out), depois de um debate presidencial na Band, a lobista publicou um vídeo em que disse que o presidente e os ministros mentiram sobre a relação dela com o governo. Ela também declarou que pretende propor um acordo de delação premiada e apresentar informações sobre supostas irregularidades envolvendo integrantes do Executivo.

Defesa de Lulinha

O advogado Marco Aurélio de Carvalho negou, na segunda-feira (19.out), que o filho do presidente tenha realizado reuniões de negócios com ministros. Segundo ele, a relação de Lulinha com integrantes do Executivo era exclusivamente social, resultado de décadas de convivência com pessoas ligadas ao PT. À Veja, a defesa afirmou que as viagens com Luchsinger ocorreram por amizade e negou qualquer irregularidade.

CPMIs no Congresso

As suspeitas motivaram um pedido de abertura de CPMI no Congresso Nacional, apresentado pela deputada Coronel Fernanda (PL-MT). O requerimento reunia 83 assinaturas até segunda-feira (19.out), segundo o Poder360. São necessários os apoios de pelo menos 171 deputados e 27 senadores para a instalação da comissão.

Na terça-feira (20.out), o PT anunciou ter reunido 103 assinaturas para outra CPMI, destinada a investigar suspeitas envolvendo o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o advogado Willer Tomaz. O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou que parlamentares do partido também assinaram o pedido para investigar Lulinha e Luchsinger e defendeu a abertura das 2 comissões.