O presidente da China e secretário-geral do Partido Comunista Chinês (PCC), Xi Jinping, discursou nesta quinta-feira (22) durante cerimônia realizada em Pequim em comemoração aos 90 anos da vitória da Longa Marcha do Exército Vermelho de Operários e Camponeses. A efeméride remete à conclusão, em outubro de 1936, da retirada estratégica considerada um dos capítulos mais celebrados da trajetória do partido comunista chinês.

O Exército Vermelho de Operários e Camponeses foi a força armada organizada pelos comunistas chineses ao final da década de 1920 e deu origem ao atual Exército de Libertação Popular. Sua epopeia mais conhecida começou em outubro de 1934, quando as tropas deixaram a base revolucionária do sul do país, na província de Jiangxi, pressionadas pelo cerco montado pelas forças nacionalistas lideradas por Chiang Kai-shek.

Dois anos de travessia

Segundo o relato tradicional chinês, as colunas comunistas percorreram cerca de 12,5 mil quilômetros ao longo de aproximadamente dois anos. No caminho, os combatentes atravessaram rios, cordilheiras nevadas e áreas pantanosas, com escassez de alimentos, armas e medicamentos. Parte significativa deles morreu durante o trajeto, vítima de combates, fome, doenças e exaustão.

O percurso incluiu episódios que entraram para o imaginário oficial do país, como travessias de rios sob fogo inimigo e a marcha por planaltos e montanhas do interior da China. Em janeiro de 1935, a Conferência de Zunyi consolidou a liderança de Mao Zedong sobre o partido e o exército, decisão apontada pela historiografia como um divisor de águas no processo revolucionário chinês.

A marcha chegou ao fim em outubro de 1936, com a união das principais forças comunistas no noroeste do país. A partir de então, o partido consolidou sua base na região de Shaanxi, de onde saiu para a vitória na guerra civil e a proclamação da República Popular da China, em 1949.

Memória oficial

A Longa Marcha ocupa papel central na narrativa do PCC, que a apresenta como símbolo de perseverança, sacrifício e vínculo entre o partido e a população. No governo atual, o episódio é tratado como referência do chamado espírito revolucionário e aparece com frequência em discursos de dirigentes e em iniciativas de formação política.

A cerimônia desta quinta-feira (22), realizada na capital chinesa, reforça o peso que o feito mantém nove décadas depois, tanto na memória do partido quanto na construção da identidade nacional chinesa.