Após dias de preocupação de eleitores com o número de mudanças de locais de votação e de um pedido do PT para que a Justiça Eleitoral investigasse a forma como essas alterações são orientadas, os dados divulgados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) apontam índices baixos quando comparados à série histórica.

Segundo Murilo Salmito, secretário-geral da Presidência do TSE, que trabalha há mais de 20 anos no tribunal, a alteração de locais de votação é comum em todas as eleições. “Essa eleição tem o menor índice de alteração entre turnos da história da Justiça Eleitoral”, afirmou.

No final de semana anterior ao segundo turno, campanhas, políticos e eleitores passaram a chamar a atenção para o índice de seções alteradas, divulgado no portal de estatísticas do tribunal. No sábado (17), o site indicava mudanças em 4.289 seções. Embora o número pareça pequeno diante das mais de 500 mil seções eleitorais do país, cada voto importa em um cenário de empate técnico, segundo as pesquisas, entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O receio, em especial da militância pró-Lula, era de que a alteração levasse à abstenção.

Números diminuíram ao longo dos dias

Os valores caíram progressivamente. O sistema do TSE apontava um dado maior porque considerava também as alterações ocorridas no primeiro turno, quando 6.588 seções mudaram em relação ao registro original, o que afetou 1,9 milhão de pessoas.

O índice baixou à medida que os TREs confirmaram ao TSE os números de seções atualizadas para o segundo turno. Segundo o tribunal, esse dado não deve sofrer grandes alterações até o domingo.

O dado mais recente, coletado às 11h30 desta quinta, aponta alterações em 300 seções de 85 locais de votação para o segundo turno. Locais de votação são, por exemplo, colégios, e seções, suas salas. Esses 85 locais afetam 90 mil eleitores, que devem checar onde votarão no domingo.

A proporção de seções alteradas não chega a 1% em nenhum estado. A maior está no Rio Grande do Norte, com 24 das cerca de 8.000 seções alteradas (0,3%). O Amapá aparece em segundo, com 5 mudanças entre 1,9 mil seções (0,26%). Não houve alterações no Distrito Federal, nas seções do exterior nem em outros seis estados: Acre, Alagoas, Goiás, Roraima, Santa Catarina e Tocantins.

Pedido do PT e promessa de melhoria

No último domingo, a coligação de Lula fez um pedido de providências ao TSE para assegurar a divulgação ampla das mudanças, além de medidas de locomoção de eleitores, sobretudo diante da abstenção de 21,08% no primeiro turno.

Em entrevista, Salmito disse que o tribunal deve melhorar a divulgação dessas informações no portal estatístico no próximo pleito e esclareceu que todas as mudanças de seções são de responsabilidade dos TREs, que têm protocolo para reorganizar seções e comunicar os eleitores.

Ele explicou que apenas 102 locais de votação no Brasil, que abrigam 338 seções eleitorais, mudariam entre turnos — número que baixou para 85 nesta quinta. “É um constrangimento para o eleitor desses locais? Claro que é. Mas no universo de 517 mil seções eleitorais nós teremos alteração de apenas 338. É uma fração verdadeiramente pequena”, disse.

Sobre a oscilação dos números na planilha do TSE, que passaram de 4.000 para menos de 400, o secretário atribuiu ao sistema a repetição dos dados do primeiro turno: à medida que os TREs cadastravam as alterações ou confirmavam que as seções se mantinham no mesmo local, os valores caíam.