A direita sairá das eleições de 2026 no controle do Senado e deverá imprimir uma guinada na agenda da Casa Alta a partir de 2027, independentemente de quem vencer o segundo turno da disputa presidencial. O bloco terá força para influenciar indicações do governo, pressionar o Judiciário e amplificar o peso das pautas de costumes e de uma segurança pública mais linha-dura.
Comando das comissões
Diferentemente da Câmara dos Deputados, as comissões temáticas do Senado têm poder terminativo: aprovam projetos sem necessidade de votação em plenário. Com 28 senadores eleitos, o PL será, de longe, a maior bancada e terá condições de comandar as comissões centrais, como a de Constituição e Justiça e a de Assuntos Econômicos.
O partido contará ainda com o apoio dos seis senadores do Republicanos, três do Novo, dois do Podemos e um do PP alinhado ao bolsonarismo. Rogério Marinho pretende disputar a presidência da Casa com o respaldo de Flávio Bolsonaro (PL).
Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que virou alvo na campanha eleitoral, terá muitas dificuldades para se reinventar no cargo e se reeleger, embora ainda possa buscar sobrevida como fiador de Lula (PT) em um eventual governo do petista.
Nova geração conservadora
A próxima legislatura também será mais estridente que a atual ala conservadora. A partir de fevereiro, nomes como Marcel Van Hattem (Novo-RS), Carlos Bolsonaro (PL-SC), Gustavo Gayer (PL-GO), Deltan Dallagnol (Novo-PR) e Carlos Jordy (PL-RJ) subirão à tribuna e passarão a integrar CPIs.
Deixam o Senado parlamentares eleitos em 2018 pelo campo conservador ou com imagem de outsiders que se aliaram a Lula e ajudaram a garantir governabilidade nos últimos quatro anos, como Soraya Thronicke (PSB-MS), Carlos Fávaro (PSD-MT), Fabiano Contarato (eleito pela Rede e depois no PT) e Alexandre Giordano (Podemos-SP).
Poder sobre indicações e embaixadas
O grupo que chega à Casa terá número para barrar ou facilitar a indicação de direitores do Banco Central, das agências reguladoras e da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), além de influenciar as escolhas para o STF (Supremo Tribunal Federal). Caso confirme o favoritismo e seja eleito, Flávio Bolsonaro poderá contar com a bancada bolsonarista para dispensar alianças com o centrão nessas nomeações — postos observados de perto pelo mercado financeiro e por empresários após o escândalo do Banco Master, que expôs a cooptação de agentes desses órgãos.
Se Lula conseguir uma virada apontada como improvável, terá dificuldade até para aprovar projetos de lei ordinária. O petista precisará fazer escolhas mais técnicas e negociar ainda mais com o centrão: no mandato atual, cedeu metade dos cargos a indicações de senadores, deixou agências acéfalas e sofreu uma histórica derrota com a rejeição de Jorge Messias para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo.
Nas embaixadas, Flávio Bolsonaro planeja implementar o modelo do secretário de Estado americano, Marco Rubio, com escolhas de fora da carreira diplomática, reforma do sistema de promoções e mudança nos objetivos da política externa brasileira. Ao Senado cabe sabatinar e aprovar os embaixadores do país.
Pressão sobre o Supremo
A maioria de direita também pesará nas escolhas para o STF. Se o número de eleitos que defendem abertamente o impeachment de ministros ainda não é suficiente para afastá-los, já basta para instaurar uma CPI que investigue o tribunal e para aprovar emendas constitucionais que diminuam os poderes da Corte — que, durante o governo Bolsonaro, conteve as forças do ex-presidente.
