Em 25 de outubro, os eleitores brasileiros voltam às urnas para definir quem ocupará o Planalto nos próximos anos: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão. A escolha, no entanto, ultrapassa a disputa interna e deve repercutir na forma como o Brasil se relaciona com o mundo — sobretudo com a China.

A candidatura de Flávio Bolsonaro ganhou corpo após a condenação do pai, que o deixou fora da corrida eleitoral e reposicionou o tabuleiro político. O resultado do pleito, portanto, também será lido como um termômetro da força do bolsonarismo, mesmo com seu líder original fora da disputa.

Dois caminhos para Pequim

As relações entre Brasília e Pequim ocupam lugar central na política externa brasileira. A China é hoje o principal parceiro comercial do país, destino de produtos como soja, carnes e minério de ferro, além de fonte relevante de investimentos em setores como infraestrutura e transição energética.

No governo Lula, o Brasil apostou no aprofundamento dos laços com Pequim e na valorização de fóruns multilaterais como os Brics, além de buscar equilíbrio no diálogo com Washington. Essa trajetória tende a seguir caso o petista seja confirmado no cargo, com a manutenção das diretrizes diplomáticas adotadas desde o início do atual mandato.

Uma vitória de Flávio Bolsonaro, por outro lado, sinalizaria possível reorientação. O bolsonarismo historicamente adotou tom crítico em relação ao governo chinês e defendeu maior proximidade com os Estados Unidos. Vale lembrar, porém, que mesmo durante o governo de Jair Bolsonaro, marcado por declarações desabonadoras a Pequim, o fluxo comercial entre os dois países seguiu em expansão — indício de que os interesses econômicos tendem a pesar mais do que o discurso.

Independentemente do vencedor, o próximo governo herdará uma realidade estrutural: a dependência do mercado chinês para os principais produtos de exportação brasileira e a necessidade de dialogar, ao mesmo tempo, com Pequim e Washington em um cenário internacional marcado por tensões.

O que está em jogo

Para o agronegócio, a indústria e o mercado financeiro, a definição do próximo presidente deve orientar decisões sobre acordos comerciais, parcerias estratégicas e a posição do Brasil em meio à rivalidade entre China e Estados Unidos. O país chega ao pleito como ator relevante na disputa por influência global, e a escolha nas urnas pode redefinir alianças construídas ao longo de décadas.

Até o dia 25 de outubro, campanhas, pesquisas e debates devem manter o foco também no exterior, à espera do desfecho que indicará se a política externa brasileira seguirá pelo mesmo caminho ou abrirá um novo capítulo nas relações com a China.