A intensificação dos gestos do presidente Lula (PT) em direção ao eleitorado cristão provocou uma reação imediata entre aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL). O grupo está mobilizando pastores evangélicos para um movimento batizado de “clamor à nação”, marcado para o próximo domingo (18).

A convocação circula por meio de um vídeo que começou a se espalhar nas redes sociais e já é compartilhado em grupos de WhatsApp. O material faz um apelo para que os fiéis participem de um dia nacional de oração.

Chamado às igrejas

“De norte a sul, de leste a oeste, que as igrejas se levantem em oração pelo Brasil. É hora de dobrar os joelhos diante de Deus e pedir que a verdade prevaleça sobre a mentira”, afirma um dos trechos do vídeo que circula entre os grupos evangélicos.

O movimento surge como contraposição à estratégia da campanha petista, que enviou uma carta dirigida aos evangélicos com o objetivo de estreitar laços com o segmento, tradicionalmente mais próximo de nomes ligados à direita.

Frente cristã pró-Lula

Além da carta, o entorno do presidente tem acionado outras figuras do governo para fortalecer a aproximação com os cristãos. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o advogado-geral da União, Jorge Messias, têm sido usados pela campanha para impulsionar um canal voltado a cristãos que apoiam a reeleição de Lula.

A disputa pelo voto evangélico vem se tornando um dos principais campos de batalha da corrida eleitoral de 2026, com ambos os lados intensificando esforços para conquistar fiéis e líderes religiosos.

Reação do PL

O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), criticou publicamente a estratégia adotada pelo palácio do Planalto.

“É mais uma tentativa de arregimentar os evangélicos. Mas os cristãos sabem a verdade e ela vai prevalecer”, declarou o parlamentar, que é pastor e uma das principais vozes do partido junto ao segmento religioso.

A convocação para o dia de oração indica que os aliados de Flávio Bolsonaro pretendem transformar as igrejas em palco de mobilização política nos bastidores da campanha, usando o discurso de “defesa da verdade contra a mentira” como mote para reagir à ofensiva do governo junto ao público cristão.

Nos próximos dias, a expectativa é de que o vídeo continue sendo disseminado em redes e grupos de mensagens, ampliando o alcance da convocação para o domingo (18), data escolhida para o chamado “clamor à nação”.